É preciso “inventar coisas” para sustentar os jovens na Igreja?
Evangelizar
é sempre um desafio. Você com certeza já ouviu algumas expressões como “a Igreja
ainda não sabe acolher o jovem”, “Não há espaço para a juventude” e tantas
outras frases e argumentos que parecem não responder a grande questão: Por que
a maioria dos jovens após os encontros realizados pelos grupos ou pastorais
saem fervorosos e depois vão esfriando até perder o interesse de permanecer na
caminhada de Igreja?
Poderíamos
até dizer que realmente a Igreja não possui “mecanismos sofisticados” de
evangelização para a juventude, mas isso não justifica a desistência de tantos
que vão ficando pelo caminho. Já presenciei em vários lugares esta realidade:
passados alguns meses de algum grande encontro via-se, como um espectador que
já viu um filme dez vezes e já sabe o final, o número de participantes diminuir
cada vez mais.
Eu mesmo, há alguns anos, participei de um grupo jovem. No
início eu saí de lá radiante e cheio de fervor, mas com o passar do tempo a
coisa foi ficando monótona e tornou-se difícil manter o ritmo inicial e fazer
novas dinâmicas.
Até
hoje me perguntava o porquê disso acontecer, e me angustiava, e ainda me
angustia, ver tantos jovens se afastando da Igreja. Vi vários amigos penderem
para o protestantismo e até perderem a fé. Hoje, após refletir bem, é possível
identificar um fator para isto.
Quando
sentamos para planejar um encontro percebo que a grande preocupação da maioria
é qual será a dinâmica que será feita porque, segundo dizem, “jovem precisa de
algo que prenda a atenção deles; precisa que inventemos coisas para eles”. Aqui
está a grande chave para compreendermos isso. O problema não são as dinâmicas,
mas o excesso delas. As dinâmicas deveriam vir para ser a cereja do bolo, e não
o bolo todo. Nossos encontros, muitas vezes, são baseados em dinâmicas, e não
na formação sólida como fiel Católico para compreender sua Fé.
Daí
entendi que, no início temos dinâmicas para dar e vender, mas depois tudo vai
acabando. Procuramos fazer coisas diferentes, mas não temos mais criatividade.
Então quando isto acontece vem o pavor de preparar o encontro e não ter nada
“de novo” para oferecer. Por isso, um a um, os jovens vão se afastando pois não
têm solidez naquilo em que acreditam. Não sabem dizer em que creem, não sabem
responder questões básicas de sua fé. Não se poderia esperar outra coisa. Já
que cessaram as dinâmicas, a criatividade, cessa também sua participação. Se
temos que “inventar coisas” para “segurar” os jovens é sinal que a nossa
evangelização não está sendo eficaz.
É
preciso, primeiro, fazer com que os jovens conheçam a fé que professam, pois,
desse modo, as dinâmicas serão apenas um detalhe, e mínimo, diante da beleza da
fé Católica. Assim, não nos preocuparemos em “inventar” coisas novas, pois
todos terão uma fé que não necessitará dessa muleta. É preciso compreender que
a maioria da juventude que procura a Igreja hoje não quer algo raso, mas algo
sólido para se firmar como pessoa, como cristão. O mundo já é raso demais. Os
jovens precisam e desejam ir “para águas mais profundas”(Cf. Lc 5,4).


