quarta-feira, 1 de maio de 2019

O que NÃO fazer para que os jovens permaneçam na Igreja.



É preciso “inventar coisas” para  sustentar os jovens na Igreja?



                                                             
   Evangelizar é sempre um desafio. Você com certeza já ouviu algumas expressões como “a Igreja ainda não sabe acolher o jovem”, “Não há espaço para a juventude” e tantas outras frases e argumentos que parecem não responder a grande questão: Por que a maioria dos jovens após os encontros realizados pelos grupos ou pastorais saem fervorosos e depois vão esfriando até perder o interesse de permanecer na caminhada de Igreja?

   Poderíamos até dizer que realmente a Igreja não possui “mecanismos sofisticados” de evangelização para a juventude, mas isso não justifica a desistência de tantos que vão ficando pelo caminho. Já presenciei em vários lugares esta realidade: passados alguns meses de algum grande encontro via-se, como um espectador que já viu um filme dez vezes e já sabe o final, o número de participantes diminuir cada vez mais. 



   Eu mesmo, há alguns anos, participei de um grupo jovem. No início eu saí de lá radiante e cheio de fervor, mas com o passar do tempo a coisa foi ficando monótona e tornou-se difícil manter o ritmo inicial e fazer novas dinâmicas.

   Até hoje me perguntava o porquê disso acontecer, e me angustiava, e ainda me angustia, ver tantos jovens se afastando da Igreja. Vi vários amigos penderem para o protestantismo e até perderem a fé. Hoje, após refletir bem, é possível identificar um fator para isto.
   Quando sentamos para planejar um encontro percebo que a grande preocupação da maioria é qual será a dinâmica que será feita porque, segundo dizem, “jovem precisa de algo que prenda a atenção deles; precisa que inventemos coisas para eles”. Aqui está a grande chave para compreendermos isso. O problema não são as dinâmicas, mas o excesso delas. As dinâmicas deveriam vir para ser a cereja do bolo, e não o bolo todo. Nossos encontros, muitas vezes, são baseados em dinâmicas, e não na formação sólida como fiel Católico para compreender sua Fé.



   Daí entendi que, no início temos dinâmicas para dar e vender, mas depois tudo vai acabando. Procuramos fazer coisas diferentes, mas não temos mais criatividade. Então quando isto acontece vem o pavor de preparar o encontro e não ter nada “de novo” para oferecer. Por isso, um a um, os jovens vão se afastando pois não têm solidez naquilo em que acreditam. Não sabem dizer em que creem, não sabem responder questões básicas de sua fé. Não se poderia esperar outra coisa. Já que cessaram as dinâmicas, a criatividade, cessa também sua participação. Se temos que “inventar coisas” para “segurar” os jovens é sinal que a nossa evangelização não está sendo eficaz.

   É preciso, primeiro, fazer com que os jovens conheçam a fé que professam, pois, desse modo, as dinâmicas serão apenas um detalhe, e mínimo, diante da beleza da fé Católica. Assim, não nos preocuparemos em “inventar” coisas novas, pois todos terão uma fé que não necessitará dessa muleta. É preciso compreender que a maioria da juventude que procura a Igreja hoje não quer algo raso, mas algo sólido para se firmar como pessoa, como cristão. O mundo já é raso demais. Os jovens precisam e desejam ir “para águas mais profundas”(Cf. Lc 5,4).

Paz e Bem!